domingo, 28 de novembro de 2010

A Tetralogia de Richard Wagner I

Analisar a Tetralogia não é tarefa fácil. Obra extensa de uma vida inteira, onde se propõe uma reformulação do conceito de ópera, drama e até mesmo de teatro – em termos arquitetônicos e acústicos – a Tetralogia é um monumento à música da segunda metade do século XIX. E talvez, seu crepúsculo.

Como escrevo para pessoas que se iniciam no universo maravilhoso da música clássica, indico aqui algumas gravações da tetralogia wagneriana;

A Tetralogia completa:

  • Clemens Klauss e o Bayreuther Festspiele – estupenda interpretação do grande maestro alemão, nos anos 50 e grande amigo e colaborador de Richard Strauss; vale a pena;
  • Sir Georg Solti e Wiener Philharmoniker & Wiener Stattsopernchor, Birgit Nilsson, Wolfgang Windgassen. Excelente, maravilhosa gravaçao do grande maestro Solti; plena de grandeur;
  • Karl Böhm e o Bayreuther Festspiele; gravaçao grandiloqüente, uma verdadeira cascata sonora, com Nilsson e Windgassen em plena forma, Böhm está fabuloso. Regência acurada e com um som muito rico;

Muitos poderão perguntar por que não acrescentei a gravação de Karajan e a Berliner Philharmoniker. Simplesmente porque ela é uma interpretação sui generis, necessitando de um cuidado maior.

Não será todo ouvinte que aceitará a visão de Karajan do ciclo do anel de Wagner.

O mestre de Salzburg resolveu dar um tratamento “cameristico” à obra; não que ele retire da partitura ou mexa na orquestração. A questão está no som. E o som de Herbert von Karajan é cameristico, dando ênfase ao drama que se desenrola no palco.

Sem dúvida, é a mais dramática leitura da Tetralogia. As emoções dos personagens estão presentes por todo o ciclo. Em cada momento da execução.

Karajan mostra sabedoria em escolher Helga Dernesch para o papel de Brünhilde, em Siegfried e Oralia Dominguez para o papel de Erda, em Das Rheingold e em Siegfried.

Dominguez, grande contralto, não é exatamente uma voz wagneriana, porém ela está soberba como Erda e muito adequada para o som que Karajan quer produzir, de caráter intimista.

Jess Thomas é um Siegfried perfeito e Dernesch está fabulosa como Brünhilde.

Diante de tanta inovação e originalidade, o Siegfried de Karajan não decepciona; surpreende, espanta-nos com sua inovação e refinamento.

Para ouvir a tetralogia necessita-se de disposição. E de peito, mas tem que ser peito de remador, como diria Vinicius de Moraes.

É obra para ser ouvidos já acostumados à música clássica.

Sua complexidade dramática é bastante grande. A distribuição dos papeis segue um esquema interessante:

Brünhilde aparece nas três noites finais do ciclo. Já Siegfried somente nas duas últimas. Wottan aparece na véspera e nas duas noites seguintes. As filhas do Reno aparecem somente na primeira noite, fazendo as vezes de coro.

Coro mesmo somente masculino e no Götterdämmerung. Fricka, a esposa de Wottan, aparece em Das Rheingold e em Die Walkürie.

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