Paulo Francis foi desses gênios que andam pelo jornalismo. Muitas vezes áspero, tido como arrogante, racista (!), “macaquito de yankee”, não foi visto como realmente era. Um patriota. Um homem tímido que muitas vezes mascarava uma sensibilidade à flor da pele com atitudes aparentemente pouco simpáticas.
Francis realmente viveu e entendeu o Brasil profundamente. O Brasil contemporâneo. O Brasil em que nasceu e viveu.
Toda sua verve, luta, foi para que o país deixasse sua mentalidade de capitania hereditária. O que ainda ocorre assustadoramente.
Desejou ardentemente um Brasil onde não fosse necessário ir para o morro viver, por falta de condições.
E criticou algo que merece as mais duras criticas de quem ama o Brasil: as nossas elites – se é que posso usar essa palavra para esse conglomerado de botocudos consumistas e profundamente ignorantes.
Não é à toa que o nível intelectual do Brasil caiu tanto: é a socialite do funk e outros exemplos nada animadores sob qualquer aspecto.
Meu saudoso professor Michel Tholon dizia uma frase que não me sai da cabeça: cada país tem o governo que suas elites merecem ter.
Pura verdade.
Infelizmente o PDSB e o PFL embarcaram numa cilada nessas eleições elegendo a questão do aborto como algo a ser discutido durante a campanha eleitoral. E haja fôlego. Foram meses a fio dessa arenga. No final o toque de Midas! A senhora CNBB entra com jeitão de tribunal do santo ofício.
O PSDB poderá ganhar e MUITO se ele fizer uma convenção de auto-análise em conjunto com o PFL. Se os dois arrumarem a casa e se unirem aos moldes do FDP da Alemanha, do Sr. Helmut Kohl, poderão realmente dar uma contribuição impar para o país.
Os dois partidos deveriam ter tomado a necessidade, urgência da reforma política como base e plataforma; parlamentarismo, voto distrital – quer misto ou puro – reforma partidária e fiscal amplas, reforma absoluta no poder judiciário e no corpo de leis do país que mais um pouco ficará como camada geológica: um montão de camadas, umas sobre as outras com muita coisa velha no meio e entulho. Um autêntico sambaqui.
Se conseguirem fazer isso e puserem os verdadeiros valores das agremiações para liderar, veremos um partido forte e com ótimas idéias para todos.
O nome?
Até ouso dar um palpite: PDL – PARTIDO DEMOCRÁTICO LIBERAL.
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