A Sra. Dilma Rousseff é eleita presidente do país. primeiro chefe de estado e de governo do sexo feminino – se excluirmos a princesa Isabel que foi regente.
PSDB e o PFL – detesto o nome DEM – perdem a eleição. e perdem feio. porquois?
conspiração? marmelada? fraude?
não. simplesmente errou na dose, errou na nota. errou de João ( ou de Jose?)
convenhamos que o Sr. Jose Serra não foi de maneira alguma um bom candidato. não foi e não é. É patente seu mal-estar quando no meio de multidão. e não pensem que eu esteja desqualificando-o por isso não. Jose Serra jamais deveria ter deixado seu habitat natural: o poder legislativo; o estado de São Paulo perdeu um excelente parlamentar para ganhar um governador menor.
A escolha do vice presidente não poderia ter sido pior. inadequado. esquisito mesmo. Além de fazer uma pose de jovenzinho bem-comportado de novela argentina que realmente não me agrada; apostando em algo que foi suicida para o PSDB E PFL – já disse que não gosto do nome DEM – o clima – mesmo que mais virtual do que presencial – de “marcha da família com deus pela liberdade”. clima histérico, procissão cheia de santos que são carregados – talvez ate com destino certo, o Chile – jeitão pseudo-inquisitorial, cheiro de churrasco…e de gente.credo.
O PSDB e o PFL não souberam qual caminho tomar. tomaram inicialmente um ar brioso, com garbo de oposição real, bem articulada. bravo, bravo, brevíssimo! mas depois houve uma intimidação. foi constrangedor ver o senador Renan Calheiros, da tribuna fazer o senador Arthur Virgilio recolher a infantaria diante de um absurdo que foi aquele momento de denuncias de “presenças faltas de decoro do senador". meu deus”! falou ate da mãe do senador, uma velhinha, esposa de senador, mãe de senador, com Alzheimer que estivera sob cuidados. aquele momento foi um dos mais vergonhosos do senado! levar a tribuna, sob pretexto de manter a lisura das contas da casa do legislativo, uma situação de saúde. AI QUE SAUDADES DE D.PEDRO II !!!!!!!! e o pior e que ninguém parou o “ínclito” senador alagoano. todo mundo ficou ali, pasmado, com cara de tacho – e não era tacho com os deliciosos doces de cora coralina – abúlicos, vendo um senador ser devassado pelo representante de alagoas. não houve viv’alma que se levantasse e refutasse o senador Renan Calheiros. silencio sepulcral.
Triste , naturalmente humilhado, Arthur Virgilio feneceu a partir dali.
O espírito oposicionista já estava meio baqueado e acabou por terra de vez. a ausência de pessoas como Denise frossard e a grande senadora Heloisa helena – senhora de quem discordo em muitos aspectos mas sua honestidade, paixão e idealismo me conquistaram de vez – ajudou a oposição a ficar com cara de palerma.
Aí as coisas ficaram como sempre ficaram. o Brasil se viu mais uma vez sob a égide do bipartidarismo. É mesmo. o partido do sim e o do sim “sinhô”.
Enfin..les elections. ah, mein lieber herr vetter…só com os dizeres da marechala de Der Rosenkavalier de Richard Strauss para agüentar. outra alternativa: talvez a bebida pesada. Mas como sou um abstêmio convicto, fico com a opera mesmo.
Enfim vieram as eleições. a coisa para os lados dos tucanos e da frente liberal não poderiam ter começado pior. o então governador Aécio neves candidatissimo – e com razão! – Jose Serra fazendo birra de criança mimada em loja de brinquedos na antevéspera de natal. no legislativo o clima era de “ você não vê o que fiz e eu não vejo o que você faz”. tudo isso fez dos tucanos e liberais – para mim o velho PFL foi o único partido realmente que poderia portar o nome de liberal condignamente – um simulacro de oposição que não conseguia marcar passo. e assim foi deixando de caminhar com a realidade nacional. uma pena.
Aécio – homem jovem de passado político denso, embora antigo, muito antigo ( como Francis se referia a Tancredo) – foi preterido pelo guri birrento da vez; são que depois, o guri birrento percebeu que corria o risco de ficar sozinho na rua. correu para Aécio quase que implorando pela chamada “candidatura puro-sangue” e são faltou dizer, diante das recusas polidas de Aécio, que ele era convidado porque não tinha mais ninguém.uma gafe não basta, são necessárias varias!
O constrangimento não podia ser maior. e Aécio mostrou isso ao se distanciar da turma que apostou num clima de véspera de 31 de março com marcha da família – embora virtual – e tudo, preferindo manter-se senador por minas gerais, garantindo uma isonomia que lhe permita representar sua região seja com o chefe de estado que for. oui, la noublesse oblige. e de noublesse Aécio entende e tem origem.
Depois, vem o episódio tragicômico envolvendo o senador Álvaro dias e a bela terra do Paraná. ai a coisa realmente mais parecia samba do arnesto. só que sem o arresto.
A revista VEJA anuncia em capa e circunstância o senador paranaense como a escolha para a chapa “puro-sangue”. deu como liquido e certo Álvaro Dias, o candidato a vice-presidente. horror.
Não pela pessoa do senador, homem equilibrado, sério. mas horror pelo que fizeram com ele; poucos dias depois, anunciam o Sr. Índio da Costa – e quem disse que macumba não funciona – como alternativa. típico de paulista quando e burro. o histórico descuido, quase desprezo para com o querido Paraná, que fez parte da região paulista ate o ano de 1853.
O senador Álvaro Dias que deu grandes contribuições individuais para a oposição – ou coisa parecida – durante esses anos, ficou com um sorriso amarelo vendo um moço da zona sul carioca aparecer com jeito de galã, espírito obtuso de personagem teen-ager de novela argentina e sequioso em marcar pontos criando um clima de véspera de 31 de março e de marcha da família.
Lembro-me do velho Hans Sachs: wahn, wahn, überall alles wahn! – no Die Meistersinger; tantos erros, equivocos, pessoas erradas nos lugares mais errados ainda, pessoas certas preteridas, aposta num clima de terreur. um bafio inquisitorial vindo sei la de que região infernal. setores da igreja católica desejosos de se sobreporem a fé católica – uma fé linda que insiste em não morrer apesar de muitos clérigos a darem péssimo exemplo, principalmente da hipocrisia e dissimulação, por puro espírito competitivo contra apos tolos – para mim apóstolos são doze e ponto – que conseguem reunir multidões graças ao espírito crédulo de muitos e ao abandono das pessoas e tradições por parte da igreja católica em favor de uma burocratização da fé que o que faz é apenas esvaziar igrejas e deixar capelas ao mato e esquecimento. fim do cantochão em latim, fim da mística da missa, fim dos estudos pesados no seminário…o que sobra; um número sem par de padres cantores que fariam grandes maestros de coro como Giuseppe Conca, Roberto Benaglio e Bonaventura Somma pensarem partir para o crime ou para o suicídio.
Outra coisa seria: o PSDB se pôs como o porta-voz único e autorizado de idéias reformistas, saneadoras e éticas. já vi esse filme. ninguém mais no pais era progressista se não estivesse na esfera PSDB/DEM. pois bem. e os pedágios? não são uma forma de imposto. e imposto por algo que já foi pago e regiamente pago.
E o IAMSPE? quem é professor, seja act ou efetivado sabe que se tiver que utilizar um serviço do instituto, devera esperar – e rezar para não piorar enquanto isso – muito, mas muito mesmo. o remédio e usar do próprio bolso. são que o desconto vem todo o mês, liquido e certo.
E os professores ACTs que não têm FGTS? isso é ser reformista? Contrário a abusiva carga tributaria? das wahr?
O terrível é que o PSDB e o PFL hoje insistem na idéia que o presidente Cardoso tem de estado mínimo.
O presidente FHC tem assegurado seu lugar na historia contemporânea do pais. foi ele, alias, Itamar Franco e depois ele, quem devolveu ao brasileiro comum a noção do valor da moeda, completamente destruído pelo período de inflação máxima que vigorou nos anos 80 e começo dos 90. realmente o plano real e algo fantástico. e ha mais uma coisa. ele devolveu ao pais sua moeda mais tradicional, o mil-réis ou real. como se vê, sempre se inova quando ha coragem de se voltar a tradição. Giuseppe Verdi: sejamos revolucionários, voltemos ao antigo.
Contudo a idéia de FHC sobre estado mínimo e no mínimo estranha. ha confusão entre estado mínimo e estado racionalizado, algo enxuto e muito eficiente e presente.
infelizmente ha uma visão reducionista da coisa: estado mínimo = ritmo frenético de privatização; estado máximo = um estado semelhante a Rússia imperial ou pior, ao império otomano.
Nem um, nem outro. só que aqui não se le nada sobre social-democracia. a começar não se tem noticia do SSA sueco, e tampouco do SPD.
Apesar de ter sido da CDU, Ludwig Ehardt foi um dos maiores teóricos da social-democracia, porque foi exatamente isso que ele fez. mas não. não se le esse tipo de coisa no brasil. nem vou perder tempo em perguntar se alguém adepto do estado mínimo ou das “idéias neo-liberais” já leu algo de Carl Friedrich Goerdeler. o lamentável academicismo no Brasil e um poderoso dique contra qualquer forma de intelectualidade original e mais seria.
Fim da eleição. discursos. tom polido do da Sra. presidente Dilma Rousseff. tom de ódio emigre de Jose serra…trincheiras, armas, arsenal, guerra, luta…cuidado senhores, não é por serem outros que cometam erros que faça o erro menos grave.
Não é momento de guerra, trincheiras ou linha Maginot. o momento para o PSDB e de reflexão e analise. e para o DEM de se colocar em seu lugar, e não buscar inventar a água. condições para isso tem. a questão são as paixões menores.
Quisera que vivêssemos sob uma monarquia parlamentar sob a casa de Saxe-Coburg e Bragança. com um legislativo presente, atuante e enxuto. eleições livres e partidos sólidos. verdadeira representação parlamentar em todos os níveis e uma carga de impostos bem menor. um pais onde o mérito fosse a regra e não o privilegio. e que tivéssemos trens, trens, trens, escolas publicas excelentes. cidades limpas, belas agradáveis a todos.
¿ quien sabe?
Por tudo isso desejo a Sra. Dilma Rousseff muito sucesso em seu governo. por ela, pelas mulheres e por todos os brasileiros.