quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A difícil decisão

O PSDB e o PFL deverão fazer uma análise profunda sobre o segundo turno.

Foi muito infeliz os termos utilizados por José Serra quando do resultado.

Armas, trincheiras, guerra, luta. A coisa mais parecia ultimato contra algum país vizinho do que a declaração de um candidato que –embora bem votado – perdeu a eleição.

Nada de trincheiras, guerras ou armas ensarilhadas. O momento é de calma e de profunda reflexão sobre o que aconteceu.

E o que aconteceu?

Em primeiro lugar o PSDB ficou perdido. Não sabia qual rumo tomar.

Não me detenho mais sobre o assunto porque o fiz em meu artigo TRINTA ANOS ESTA NOITE – uma homenagem a Paulo Francis. E – modéstia a parte – creio tê-lo feito bem.

Já o PFL realmente perdeu o compasso. Equivocou-se, partindo para um clima de marcha da família com Deus pela liberdade. Jamais deveria ter feito isso.

Volto a afirmar que o nome escolhido para ser o vice de José Serra não poderia ter sido pior.

Os dois partidos deverão passar por um período de silêncio, meditação mesmo.

A primeira coisa que o PFL tem a fazer é abandonar o nome horroroso de DEM. De onde saiu essa idéia?

Depois a tarefa mais profunda e árdua: rever todos os caminhos percorridos. Talvez unir-se de vez ao PSDB fosse uma boa solução.

Mas aí há uma questão: poderia esse partido fruto da união de PSDB e PFL/DEM continuar a trilhar o caminho da social-democracia? Teria espaço na chamada centro-esquerda para essa nova agremiação? Se não, qual caminho a ser tomado? E o passado contrário à ditadura e à ARENA?

O PFL está mais próximo do velho e saudoso PDS do que o PSDB.

No partido tucano há figuras como Arthur Virgilio, o próprio José Serra, Álvaro Dias, novamente o grande senador Flavio Arns – um nome sequer cogitado para ser vice de uma chapa de sonhos Aécio Neves e Flavio Arns...- e o próprio presidente FHC. E a saudosa professora Ruth Cardoso?!

Ou o PSDB toma um novo rumo e se equilibra, tornando-se realmente um partido social democrático e segue os passos do SPD ou do SSA sueco, ou se arrisca a se ver envolvido em espessas brumas de dúvidas e confusões.

Um palpite...duvido muito que o senador Aécio Neves, hoje – diante da história recente do país – um nome cheio de significado e peso, fique no PSDB. A questão que o envolveu antes das eleições quando o Sr. José Serra birrou para sair candidato – uma condição natural para Aécio – e depois tentou melhorar a gafe só piorando-a ainda mais, deixou marcas profundas que, creio eu, só tendem a aumentar.

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